Moradores de rua invadem terreno baldio e causam transtornos: lixo, fezes, briga e até tiros
Há algum tempo, moradores vizinhos de um terreno baldio pertencente ao município, localizado na Avenida Perimetral Tancredo de Almeida Neves, no cruzamento com a Rua Engenheiro Mercer, vêm passando por uma tremenda dor de cabeça. É que o local passou a ser “ocupado” por moradores em situação de rua e desde então a área ficou insalubre. Após denúncias, a reportagem da TRIBUNA foi até o local e constatou a situação.
Com o terreno vazio, vários moradores em situação de rua invadiram o lote e fizeram até cabanas improvisadas. Até aí ainda tudo bem. O problema é que, desde que passaram a conviver na área, o espaço passou a ser tomado por todo quanto é tipo de lixo, como restos de roupas velhas, cobertas, marmitas com restos de comida, garrafas pets, restos de móveis velhos, como sofás, colchões, entre outros. Para piorar ainda mais a situação, essas pessoas defecam e urinam no terreno, causando um forte odor que invade residências próximas. Como se não bastasse, moradores relatam até relação sexual entre homens no local. Além disso, brigas frequentes são registradas, inclusive tiros já foram disparados por ali. Isso sem contar que alguns costumam consumir drogas no espaço.

“Está uma pouca vergonha. Ali não é só o lixo. De manhã, é homem ‘pegando’ homem e drogas ‘rolando’ solto. Não dá para aguentar esta situação, não. Além disso, tem uma árvore ali que está no canto da minha casa que está empurrando a parede para dentro”, denunciou Marli dos Santos Reis, moradora próxima do local.
Ela disse que tem dias que não consegue fazer uma refeição em casa devido ao cheiro forte de fezes e urina no local. “A coisa está feia. Além disso, tem mato alto, o que provoca a proliferação de insetos. Eu não fico em casa sem o ventilador ligado por causa de pernilongos que vêm do local”, desabafou.
Dona Marli disse que inclusive já recebeu ameaça de um dos invasores do terreno. “Eles se acham no direito de invadir um terreno público, tirar a paz dos trabalhadores e ainda nos ameaçar. Aí já é demais”, complementou.
Outra moradora, que preferiu o anonimato e mora em um prédio ao lado do terreno baldio, disse que está espantada com a situação e mais ainda com a “inércia do poder público” que não resolve o problema. “Fizeram cabanas, cama e colocaram até sofá. À luz do dia, é homem com homem. De madrugada, fazem um escândalo, não nos deixam dormir. Além disso, fazem todas as suas necessidades ali no local, a céu aberto. A gente não aguenta mais”, afirmou.

A moradora disse que já relatou o problema ao município, mas não foi resolvido. “Se o terreno fosse de particular, já teria sido multado. Se temos que arcar com nossas responsabilidades, o município também nos deve isso”, disse. Ela disse que também já foi ameaçada por um dos moradores que invadiram o local. “Eu chego tarde em casa e eles nos cercam nos portões. Aqui só está faltando se matarem na frente das casas, já que brigam frequentemente. Até já teve tiros”, relatou.
A desordem, além de tirar a paz dos moradores, prejudica também pessoas idosas doentes que residem próximas ao local. No prédio ao lado, por exemplo, mora uma senhora de idade que trata de câncer. “Imagina o quanto ela não sofre”, disse indignada a moradora. “Só quem reside próximo sabe o transtorno que é. Coisas absurdas já aconteceram. Uma hora vai acontecer o pior”, alertou.
Outro lado
A TRIBUNA fez contato com o setor de Meio Ambiente do município. A informação repassada é que funcionários tentaram fazer a limpeza do local e proteção em 2024, mas foram impedidos por uma advogada, alegando que eles estariam ‘violando direitos’ dos invasores. “Queria que essa advogada viesse aqui dar uma olhada na situação ou que ela se mudasse do lado do terreno”, criticou outra moradora. “Porque ela não vem falar comigo”, emendou.