Pais denunciam morte de criança durante parto na Santa Casa, hospital diz que está investigando
O que seria a chegada de mais um membro à família se tornou um pesadelo para os pais Ana Carolina Pereira de Souza e Cleiton José Leite dos Santos, moradores de Campo Mourão. Após 9 meses de gestação, a filha Agatha Pereira dos Santos, que aparentemente era bastante saudável, conforme exames realizados no período do pré-natal, acabou falecendo durante a cesárea, no Hospital Santa Casa no dia 22 de março de 2025, às 23h33.
Sem ainda entenderem o que aconteceu com Agatha, os pais estão acusando o hospital de erro médico, o que teria causado a morte da filha. Marcas pelo corpo da criança, conforme Ana Carolina e Cleiton, levantam a desconfiança de que algo errado aconteceu durante a cesárea. Os pais disseram que registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil do caso. A diretoria clínica do hospital foi procurada pela TRIBUNA para comentar o caso e disse que está apurando o que houve.
O jornal teve acesso à certidão de óbito da criança, que consta apenas a informação de ‘óbito fetal sem causa determinada’. Conforme informaram os pais, a cesárea foi feita por dois médicos residentes. A mãe disse ainda que, mesmo com contrações fortes e reclamando de dores, esperou por cerca de 30 a 40 minutos até finalmente entrar para a sala de cirurgia.
Ana Carolina informou que, desde o feriado do Carnaval, já não estava bem. Segundo ele, ficava uma semana na Santa Casa e três dias em casa. “Eu sofria muitas contrações. Me davam medicação e me mandavam de volta para casa. Eles insistiam em fazer parto normal, mas eu queria cesárea”, informou.
Segundo ela, na sexta-feira (21), recebeu alta do hospital. Porém, um dia depois, no sábado (22), passou mal e precisou retornar. “A médica me disse que, se eu sentisse dor, era para voltar. Ele me falava que sentir contrações era normal”, falou. Na noite do dia 22, ela estava na casa de sua mãe e começou a passar mal. Ligou para o esposo que saiu do trabalho e a levou ao hospital.

“Quando cheguei na Santa Casa, tinha um rapaz que levou uma cadeira e me atenderam na hora. Fui atendido por um médico primeiro e depois veio uma médica. Quando ela fez o toque, disse que a boca da minha filha estava aberta. Fiquei assustada. Esperei por cerca de 30 minutos ou mais até ser finalmente levada para a sala de cirurgia”, lembrou. Ana Carolina passou por uma cesárea bastante demorada. Segundo ela, após a cirurgia, foi colocada em isolamento e não teve contato com o neném nem mesmo qualquer informação da criança, disse. “Para mim, eles não falaram nada. Eu fiquei revoltada e achei bem estranho”, falou. A notícia da morte da criança foi dada a Cleiton assim que ele chegou ao hospital com uma bolsa com roupinhas para a filha. O pai ficou em choque.
Sem entender nada, Cleiton cobra uma explicação do hospital. Seria a terceira filha da família. Ele disse que a criança estava bem e se mexendo bastante no útero da mãe quando ele a deixou no hospital. “Aí fazem uma cesárea e a menina que estava bem e perfeita nasce morta? Não faz sentido nenhum”, questionou, ao reclamar ainda do tratamento recebido no local. “Me deram a notícia sem explicar qualquer motivo, viraram as costas e não me informaram mais nada”, relatou.
O que chamou a atenção dos pais, conforme Cleiton, foram as marcas pelo corpo da criança. “O corpo dela estava muito estranho. De um lado do peito tinha um roxo grande e uma marca também no pescoço. Até tentei perguntar para os médicos, mas eles ‘sumiram’ e não me falaram nada”, estranhou o pai. Fotos da criança que aparecem com as marcas foram feitas pelos pais.
Cleiton disse que ficou sábado à noite inteira e domingo quase o dia todo com a esposa no hospital e só depois de todo este tempo apareceu a mesma médica que havia feito o ultrassom de Ana Carolina na quinta-feira anterior à cirurgia para conversar com a família e mesmo assim não respondeu aos seus questionamentos. “Essa mesma médica tinha feito o ultrassom antes da cesárea e disse que estava tudo bem com minha neném e que minha esposa teria parto normal. Cheguei a mostrar uma foto das marcas na criança a ela, mas ela abaixou a cabeça e não falou nada. Só disse que estava trocando de plantão. Eu nem sei do que a minha filha morreu”, disse o pai, bastante entristecido.
Outro detalhe que chama a atenção do pai foi a rapidez com que a esposa recebeu alta pós-cesariana. “Deram alta para ela antes de 24 horas depois da cesárea. Muito estranho. Antes de liberarem ela, a médica disse que a deixaria ir ao velório da neném somente acompanhada de uma enfermeira. Porém, do nada, quando eu ainda estava correndo atrás da papelada do velório da minha menina, minha esposa me ligou informando que tinham dado alta a ela e era para buscá-la. Deram alta para ela como se tivessem consultado um porco e mandado de volta para casa”, lamentou Cleiton, ao informar que vai ‘até o final’ para esclarecer a morte da filha.
“Minha menina estava perfeitinha. A mulher carregou por 9 meses. As imagens de ultrassom mostravam ela perfeitinha e na hora da cesárea a menina nasce morta. Alguma coisa aconteceu. Não tem lógica”, argumentou.
O que disse o hospital
Procurado pela TRIBUNA, o diretor clínico da Santa Casa, médico Denilson Daleffe, informou que o hospital está ‘analisando os fatos’. “Este caso precisa passar pela Comissão de Mortalidade Materno-Infantil e assim que tivermos definição tomaremos as medidas cabíveis”, resumiu.
O médico não quis entrar em detalhes antes da investigação do caso. Sobre as lesões no corpo da criança, por exemplo, informou que só se manifestará após a conclusão da investigação.