A importância da terapia alimentar no tratamento da seletividade alimentar em crianças com TEA
No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, é essencial discutir os desafios enfrentados por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente em relação à alimentação. A seletividade alimentar é comum entre elas, dificultando a aceitação de novos alimentos e comprometendo sua nutrição e qualidade de vida.
Pesquisas indicam que entre 46% e 89% das crianças com TEA apresentam dificuldades alimentares, desde a recusa de novos alimentos até a limitação extrema a poucas opções. Sensibilidade sensorial aumentada, dificuldades motoras orais e necessidade de previsibilidade são fatores que agravam o quadro, que não é uma escolha da criança, mas um desafio que exige intervenção especializada.
A nutricionista Aline Faria, especialista em terapia alimentar explica que a seletividade alimentar no autismo vai além de um comportamento alimentar restrito. “Ela reflete questões sensoriais, motoras e emocionais que tornam a alimentação um grande desafio. Sem a abordagem adequada, a criança pode permanecer com um repertório alimentar muito limitado, comprometendo sua nutrição e desenvolvimento”, afirma.
A terapia alimentar é um dos principais recursos para ampliar gradualmente essa aceitação, respeitando o tempo e as necessidades da criança. “Nosso objetivo é criar um ambiente seguro e sem imposições, permitindo que a criança explore novos alimentos de forma natural e tranquila”, ressalta a especialista.
Dentre as estratégias fundamentadas em evidências científicas, destacam-se a criação de rotinas alimentares previsíveis, essenciais para reduzir a ansiedade durante as refeições; a dessensibilização sensorial, que auxilia na adaptação a diferentes texturas, cheiros e temperaturas; e o encadeamento alimentar, um método que introduz novos alimentos de maneira gradual e estratégica. A participação da família também é fundamental. “Os pais são parte ativa do processo, pois as mudanças precisam acontecer no dia a dia”, reforça Aline.
O progresso ocorre de forma gradual e exige paciência, mas, com acompanhamento profissional adequado e estratégias personalizadas, é possível melhorar significativamente a relação da criança com a alimentação. “Mais do que ampliar o repertório alimentar, estamos promovendo qualidade de vida para a criança e toda a família”, conclui a nutricionista.
Garantir uma alimentação equilibrada para crianças com TEA é essencial para seu desenvolvimento. A terapia alimentar se mostra um caminho eficaz para superar os desafios da seletividade alimentar e construir hábitos mais saudáveis, sempre respeitando o tempo e as particularidades de cada criança.
Sobre a especialista
Aline Faria é nutricionista, pós-graduada em Nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e especializada no tratamento da seletividade alimentar infantil. Possui treinamentos em terapia alimentar e capacitação para intervenção nutricional em crianças com dificuldades alimentares. Atende em Campo Mourão.
